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Cervejarias alemãs podem desaparecer em breve

  • pdsfernandes
  • 26 de ago.
  • 4 min de leitura

= Cervejarias alemãs podem desaparecer em breve =


Duro golpe para o Douro vinhateiro que quer reformas urgentes

Deparei-me recentemente com esta notícia.


Apesar da indústria da cerveja se ter adaptado melhor às alterações de consumo de álcool das novas gerações (particularmente a geração Z), com a implementação de sidras, de cervejas com baixo teor alcoólico ou sem qualquer álcool e ainda cervejas com sabores, não impediu que o consumo de cerveja tenha caído em todo o mundo.


No caso ada Alemanha, principal país consumidor de cerveja, houve uma queda de mais de 30% no último ano e culminou em algumas cervejarias de renome já terem fechado naquele país.


Apesar de tudo, parece inevitável uma queda constante no “desconsumo” de álcool. As novas gerações parecem ter maiores preocupações com a saúde, bem-estar e sustentabilidade ambiental, por isso, o empresário tem de gerir o seu negócio em torno desses princípios. Apesar de, no caso do vinho, haver uma grande resistência a criar vinhos sem álcool, com pouco álcool ou bebidas á base de vinho, parece óbvio, que os empresários devem criar vinhos nessa linha, mesmo que optem por não os colocar já no mercado. É importante ir testando esse tipo de vinhos tendo em conta a sua qualidade e a sua durabilidade no mercado. Fazer vinho sem álcool requer investimentos e técnicas que necessitam de ser avaliadas e de preparar o mercado.


Por outro lado, uma boa estratégia de planeamento estratégico passa igualmente por redesenhar a missão e a cultura da empresa, alicerçando nos seus pontos de cultura valores como as causas ambientais e socio humanitárias.


Hoje uma empresa deve ser construída em torno de preocupações ambientais e isso tem de ser sentido e não apenas usar esse tema como estratégia de marketing. O cliente hoje sente se a estratégia é uma mera campanha ou se tem, de fato, fundamento e é aplicada pela empresa.


Não basta colocar informações nas redes sociais alusivas a isso e concorrer a fundos da união europeia que permitam, ir buscar dinheiro extra e selos de garantia de causas ambientais. As empresas podem executar pequenas ações que possam melhorar a pegada de carbono, como o uso da garrafa mais leves, caixas recicladas, reutilização de água entre outras. É importante que faça parte dos valores culturais da empresa e que os funcionários que trabalham na empresa se autor responsabilizem e identifiquem com isso. O Douro fez isso muito bem ao reutilizar as barricas no envelhecimento de Vinho do Porto. No fundo é usar praticas que já eram usadas no passado, mas que de certa forma, foram esquecidas.


Poupar no ambiente também traz custos acrescidos. Os produtos fitofarmacêuticos usados nos tratamentos fitossanitários mais “amigos” do ambiente são normalmente mais caros e de menor durabilidade com substâncias ativas menos eficazes. Hoje parece impensável transportar 10 barricas num barco rebelo da Régua ao Porto e transportar uvas em carroças de animais como o burro. Cortar erva manualmente é impensável por falta de mão-de-obra e, obrigatoriamente, tem que se usar ou ervecidas ou roçadoras que acabam por afetar o ambiente pelo uso de combustíveis.



No entanto, é possível reduzir o número de utilizações. Usando uma viticultura regenerativa diminui-se a 100% o uso de fertilizantes no espaço de 2/3 anos, permite um controlo de ervas infestantes (daninhas), existem inclusive determinadas ervas que têm ação antioxidante e que repelem insetos “inimigos” da vinha e servem de abrigo a insetos “amigos”. No caso dos patamares, ter-se-á que voltar a construir muros em pedra e assim controlar a limpeza dos mesmos.


Passando para a vertente socio humanitária, o Douro no passado tinha em muitas quintas capelas/igrejas e possibilitava o alojamento, ainda que em condições precárias, dos trabalhadores ao longo da jornada de trabalho. É necessário voltar a essa época, para poder atrair os emigrantes de outros países, onde garantir alojamento e alimentação pode aumentar o interesse. E é inevitável recorrer a essa mão de obra pois atualmente os portugueses afastaram-se do trabalho “duro” mas que afinal é bem mais fácil do que há uns anos.


O empresário deve ainda contribuir para causas sociais, tais como apoiar corporações de bombeiros, lares de idosos e até financiar investigações na área da saúde.

Isso traz novos custos, mas é inevitável uma empresa hoje, seja do ramo que for não ter na sua base uma política que defenda estes princípios. Já não basta ter um produto de qualidade, que seja entregue de forma rápida e sem erros. Hoje tem de se ir atrás dos novos ideias do consumidor. Esquecer isso, é esquecer uma regra básica do negócio, adaptabilidade/flexibilidade face às mudanças contantes do mercado.


Concordemos ou não em haver vinhos com pouco ou nenhum álcool, em gastar dinheiro com o ambiente e com causas externas ao nosso modelo de negócio, quem ficar de fora destes princípios estará a condenar-se no mercado e REPITO não basta parecer, é precise sê-lo pois o consumidor sente quando não somos genuínos.

(...)quem ficar de fora destes princípios estará a condenar-se no mercado...

ESCRITO POR:


Pedro Fernandes

Pedro Fernandes enólogo





Pedro Fernandes é um Enólogo português que desde os 11 anos está ligado á Vitivinicultura, onde desde cedo começou a fazer os primeiros vinhos com o seu pai e a fazer trabalhos como a poda.

Desde lá nunca parou e em 2018 decide dedicar-se ao setor do vinho, começando por fazer "tudo ao contrário". Começou por tirar cursos de especialização de vinhos como o WSET (Direct Wine) e o Wine Expertise (ISAG) em 2018/2019. Depois forma-se na Universidade de Nebrijia em Madrid, tirando um MBA de Enologia (2020). Já em 2021, com 39 anos, decide tirar uma Licenciatura em Enologia (UTAD), e contrariando todas as probabilidades, termina o curso em 2024.

Pelo caminho cria a sua primeira marca pessoal de vinho - Chãos - e estagiou no prestigiado Chateau Latour (em Bordéus).

Atualmente exerce consultoria no setor do vinho, onde desempenha um papel não só de enólogo, mas também criando uma estratégia de negócio para os produtores de vinho, com uma visão atual do mercado, onde passa pelos recursos do Marketing Digital e Enoturismo.

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