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Faz sentido apostar numa estratégia digital para vender vinho?

  • pdsfernandes
  • 17 de jul.
  • 4 min de leitura

Porque apostar no digital é essencial para vender vinho?


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A indústria vitivinícola está a passar por uma transformação na venda direta ao consumidor.

A forma como os produtores se conectam com os consumidores já não é a mesma de há 10 anos. Hoje, quem compra vinho quer mais do que uma boa garrafa: procura conveniência, personalização, tecnologia e experiências memoráveis. Nesse cenário, adotar uma estratégia digital deixou de ser um luxo e passou a ser uma necessidade.


Inteligência Artificial no vinho:


A inteligência artificial pode ajudar a prever gostos, a recomendar garrafas ideais e até a sugerir rótulos para provas presenciais. Mais do que automatizar, a IA aproxima. Permite entender o que o cliente quer antes mesmo de ele pedir. Isso fortalece o relacionamento e aumenta o valor médio das compras.

No e-mail marketing, por exemplo, a IA combinada com ferramentas de CRM permite segmentar com precisão: saber quem gosta de uma determinada casta, quem compra só em datas especiais ou quem prefere entregas mensais. Com esta integração é possível criar campanhas mais eficazes e vendas mais consistentes.


Clubes de vinho e modelo de assinaturas:


As gerações mais novas — principalmente Millennials e Gen Z — estão a mudar não só no que diz respeito ás suas preferências, mas também á forma de consumir vinho. Procuram praticidade, controle e variedade. E é aí que entram os clubes de vinho e os modelos de assinatura.

Uma ideia eficaz é permitir que o cliente monte o seu próprio pack mensal, com um valor fixo (por exemplo, 50€/mês) e escolha as garrafas até esse limite. Isso elimina o fator “surpresa” e aumenta a satisfação. É o modelo Amazon aplicado ao vinho.

Outra alternativa são as assinaturas com vantagens: portes grátis, acesso a vinhos exclusivos, convites para eventos. Um “Prime” do vinho que gera retenção e sentimento de pertença.

Tudo isto deve estar ligado a um bom sistema de gestão: ponto de venda, e-commerce, CRM, e ferramentas de marketing por e-mail.


O mobile é o novo balcão:


Hoje, a maior parte das compras começa (ou termina) no telemóvel.

Por isso, o site da adega tem de estar preparado. O checkout tem de ser fácil. E integrar opções como Apple Pay ou Google Pay já não é um diferencial — é o mínimo.


SMS: comunicação que (realmente) chega:


Enquanto os e-mails têm uma taxa de abertura entre 20% e 30%, as mensagens de texto podem ultrapassar os 90%. E as principais razões é porque são diretas, pessoais e rápidas.

Enviar uma oferta de aniversário, um lembrete de recolha ou um desconto exclusivo via SMS ou WhatsApp pode fazer toda a diferença — especialmente para clientes de alto valor.


Dados: o novo terroir:


Conhecer o comportamento dos clientes é como conhecer o solo onde se planta.

Com dashboards bem montados, os produtores conseguem perceber quais vinhos vendem mais, em que época e com que preço. Tudo isso permite afinar a estratégia e tomar decisões com base em dados — não em achismos.


Eventos com estratégia:


Provas, jantares vínicos e visitas à adega continuam a ser ferramentas poderosas. Mas agora, são também oportunidades de recolher dados e medir resultados.

Com bilhética digital, CRM e automações de e-mail, é possível seguir o cliente após o evento, enviar ofertas personalizadas e criar um ciclo de fidelização.


Porque os produtores ainda resistem a uma estratégia digital?


A primeira razão tem a ver com a logística. As garrafas de vidro são frágeis e os custos com embalamento e envio podem ser desafiadores. A solução passa por reforçar o acondicionamento (madeira, esferovite, plástico de bolha) e ter um bom seguro contra quebras.

A segunda razão é cultural. A indústria vitivinícola é tradicional, e mudanças tecnológicas demoram a ser implementadas. Ainda hoje há quem torça o nariz às screw caps...

A terceira razão é mental. Sendo a indústria do vinho tradicionalmente um negócio fechado a novas tecnologias, investir tempo, dinheiro e recursos numa estratégia digital não traz retornos imediatos, gera desconfiança por parte dos produtores face às agências ou freelancers que propõem essa estratégia. É um fato que, muitas vezes, esses profissionais não estão preparados para um mercado tão desafiador e diferente dos restantes e acabam por utilizar as mesmas estratégias que aplicam habitualmente em outras industrias como a moda, suplementação alimentar ou outras. E, claramente, que a estratégia de comunicação de conteúdo, audiovisual e promoção têm de ser adaptadas ao setor vitivinícola.

Os consumidores estão a mudar e quem não acompanhar essa mudança, vai ficar para trás.

ESCRITO POR:


Pedro Fernandes

Pedro Fernandes enólogo





Pedro Fernandes é um Enólogo português que desde os 11 anos está ligado á Vitivinicultura, onde desde cedo começou a fazer os primeiros vinhos com o seu pai e a fazer trabalhos como a poda.

Desde lá nunca parou e em 2018 decide dedicar-se ao setor do vinho, começando por fazer "tudo ao contrário". Começou por tirar cursos de especialização de vinhos como o WSET (Direct Wine) e o Wine Expertise (ISAG) em 2018/2019. Depois forma-se na Universidade de Nebrijia em Madrid, tirando um MBA de Enologia (2020). Já em 2021, com 39 anos, decide tirar uma Licenciatura em Enologia (UTAD), e contrariando todas as probabilidades, termina o curso em 2024.

Pelo caminho cria a sua primeira marca pessoal de vinho - Chãos - e estagiou no prestigiado Chateau Latour (em Bordéus).

Atualmente exerce consultoria no setor do vinho, onde desempenha um papel não só de enólogo, mas também criando uma estratégia de negócio para os produtores de vinho, com uma visão atual do mercado, onde passa pelos recursos do Marketing Digital e Enoturismo.

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