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Imposto Trump para os vinhos. O que vem ai?

  • pdsfernandes
  • 8 de jul.
  • 4 min de leitura

Duro golpe para o Douro vinhateiro que quer reformas urgentes


Os EUA são um dos maiores consumidores mundial de vinhos, que tem abalado as importações de vinho pelas ameaças de taxas alfandegárias desde março, "taxas recíprocas" de 20% sobre todos os produtos europeus apresentadas em 2 de abril, depois um atraso de 90 dias em 10% das tarifas americanas sobre produtos europeus e a 23 de maio taxas adicionais de 50% sobre os produtos europeus a partir de 1 de junho.


Numa altura em que na próxima quarta feira (9 de julho), se aproxima o fim das negociações comerciais entre a Comissão Europeia e os Estados Unidos, os exportadores portugueses de vinhos e destilados ainda não sabem como serão afetados: 50% ou mais a partir de 1º de agosto, manter os 10% como desde o início de abril ou mesmo uma queda para 0%.


Recentemente houve uma negociação entre China e EUA que permitiu um acordo de entrega pelos chineses de terras raras aos EUA, que em contrapartida, vão retirar algumas contramedidas, como a proibição de exportação de álcool, semicondutores e motores de aviões dos EUA para a China.


Está igualmente previsto um acordo entre os EUA e a Índia e ainda entre EUA e Austrália. Certo é que os EUA vão procurar sempre beneficiar em setores economicamente estratégicos, como terras raras, aço, importação do gás natural americano por parte dos europeus.


Panorama atual de "parcerias” entre EUA:

Parceria

Situação Atual

Datas-chave

Componente do Vinho

China

Trégua: tarifas reduzidas para 10% em maio; acordo consolidado em junho.

12 maio 2025 – início da trégua (90 dias)11 junho 2025 – acordo

✅ Tarifa sobre vinhos EUA caiu de 125% para 10% → forte regresso ao mercado chinês

UE

Tarifas suspensas até 9 julho; proposta de tarifa única de 10%; sem definitiva confirmação.

Abril 2025 – imposição de tarifas9 julho 2025 – fim prazo

Vinhos europeus incluídos como produtos sensíveis; impacto ainda incerto

Índia

Negociações em curso para “mini-acordo” (~10% tarifa); suspensão temporária até 9 julho.

Abril 2025 – proposta de tarifas9 julho 2025 – fim suspensão

❌ Vinhos não são foco do acordo; nenhum impacto direto previsto

Austrália

EUA aplicam tarifa de 10% a todos os produtos (incluindo vinhos) desde abril; suspensão de tarifas adicionais até 9 julho; negociações em curso para isenções, incluindo vinho.

2 abril 2025 – anúncio “Liberation Day” (10%)5 abril 2025 – efetivo até 9 julho 2025 – suspensão de tarifas adicionais

✅ Tarifa de 10% sobre vinhos australianos (antes isenção); setor considera medida “desastrosa”

 

Enquanto não se sabe o desfecho destas alterações constantes, numa espécie de guerra económica, o setor do vinho acaba por abalar, fazendo com que exportadores congelem encomendas momentaneamente, o que não ajuda o setor vitivinícola que atualmente se encontra em crise e que apenas tem uma “almofada de ar fresco” fruto das experiências em loco do enoturismo e que procura reequilibrar a oferta com a procura de vinho.


Hoje, as empresas do setor deixaram de produzir para potenciar o vinho “no longo prazo” porque:

- há contas para pagar

-  o consumidor deixou de ter poder económico para comprar vinhos valorizados

- as empresas ainda procuram saber quais as alterações no padrão de consumo das novas gerações, pois guardar vinhos por mais tempo armazenados em adega, em barricas, cubas ou garrafas, traduz-se em vinhos mais complexos, mais tânicos, menos frutados, menos frescos o que contrapõe ás tendências desses novos consumidores. Daí que as empresas tenham optado por produzir, na sua maioria, vinhos para venda mais rápida e não para vinhos que estejam a envelhecer por centenas de anos como no passado.


Além disso, guardar vinhos por mais tempo pressupõe mais espaço e o espaço custa dinheiro. É preciso pagar os vinhos aos pequenos produtores de uva e, no caso de possuírem uva própria, cada vez mais os custos de mão de obra, de produtos fitossanitários e de fertilizantes são mais caros.


Pelo caminho, alguns optaram por diversificar em excesso. No caso português passou-se a:

. produzir vinhos monocasta, algo que contradiz o perfil do consumidor português habituado a vinhos de lote.

. criar vinhos de técnicas ancestrais (ânfora, talha, entre outras) em regiões cuja tradição nunca esteve ligada a isso.

. integrar castas novas em regiões cuja sua génese era distante (como o Alvarinho e o Encruzado no Douro), desintegrando a cultura vitivinícola, as tradições e o tal terroir característico de uma determinada região.

. destilar produtos, passando a ter gins no seu portfolio.


Tudo valeu para criar “novos” produtos e acabaram por competir uns com os outros. O excesso de diversificação, fez inclusive, com que o produtor competisse com ele próprio ao afastar-se da sua génese e da sua identidade.


Vamos ver no que vai dar, mas acredito que a indústria vai passar por um mau bocado nos próximos 3/5 anos.

ESCRITO POR:


Pedro Fernandes

Pedro Fernandes enólogo





Pedro Fernandes é um Enólogo português que desde os 11 anos está ligado á Vitivinicultura, onde desde cedo começou a fazer os primeiros vinhos com o seu pai e a fazer trabalhos como a poda.

Desde lá nunca parou e em 2018 decide dedicar-se ao setor do vinho, começando por fazer "tudo ao contrário". Começou por tirar cursos de especialização de vinhos como o WSET (Direct Wine) e o Wine Expertise (ISAG) em 2018/2019. Depois forma-se na Universidade de Nebrijia em Madrid, tirando um MBA de Enologia (2020). Já em 2021, com 39 anos, decide tirar uma Licenciatura em Enologia (UTAD), e contrariando todas as probabilidades, termina o curso em 2024.

Pelo caminho cria a sua primeira marca pessoal de vinho - Chãos - e estagiou no prestigiado Chateau Latour (em Bordéus).

Atualmente exerce consultoria no setor do vinho, onde desempenha um papel não só de enólogo, mas também criando uma estratégia de negócio para os produtores de vinho, com uma visão atual do mercado, onde passa pelos recursos do Marketing Digital e Enoturismo.

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