Touriga Nacional
- pdsfernandes
- 29 de set. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de jun.

= TOURIGA NACIONAL =
A Touriga Nacional é uma casta portuguesa, cuja sua origem gera polémica entre as regiões do Dão e do Douro. Estudos de variabilidade genética demonstram que a sua existência é elevada em ambas as regiões. Em 1881, o Visconde de Villa Maior associou a casta no Douro comparando-a a castas internacionais de elevada qualidade. E, no final do Séc. XIX, representava 90% das vinhas da região do Dão. Muitos produtores do Dão defendem que a casta é originária do Dão, em virtude de existir uma localidade denominada “Tourigo” na região e que esse nome daria origem á casta.
A sua produção era dominante no final do século XIX, mas devido à devastação trazida pela praga da Filoxera, esteve praticamente extinta. Após a aplicação das primeiras técnicas de enxertia, particularmente com o recurso ao porta-enxerto Aramon, a casta respondeu negativamente com baixos rendimentos, tornando-se uma casta economicamente insustentável.
Posteriormente, após o uso de porta-enxertos adequados e a introdução de técnicas racionais de condução, tornou-se uma casta excessivamente produtiva e, em alguns casos, recorre-se à prática da monda dos cachos.
Atualmente a Touriga Nacional tem sido testada nas regiões francesas de Bordéus como alternativa face às castas autóctones da região devido ao aumento da temperatura provocado pelas alterações climáticas.
Caraterísticas genéricas:
A Touriga Nacional tem película grossa e cor azulada, o bago, dentro das castas não tintureiras, consegue atingir níveis de cor e de índice de polifenóis totais superiores às restantes castas portuguesas.
A Touriga Nacional ganhou fama por ser uma casta de eleição para blends do vinho do Porto, para potenciar as suas caraterísticas aromáticas florais e acrescentar textura, volume e densidade, devido á sua componente tânica.
Aromaticamente é marcada pela componente floral (violetas e casca de laranja). Quando plantada em climas mais quentes, pode mostrar ainda o seu lado balsâmico
Estão presentes também os frutos selvagens e silvestres maduros, como amoras e mirtilos. Quando envelhecido, os sabores amadurecem tornando-se um vinho mais delicado e elegante, mas sem perder sua expressão intensa.
É considerada por muitos a melhor casta para produção de vinho do Porto, mas também é adequada à produção de vinhos espumantes e rosés de grande qualidade.
Além de Portugal, está presente também na América do Norte (nas regiões da Califórnia, Washington State e Virgínia), na Austrália (Barrosa Valley) e África do Sul (Allesverloren, Boplaas e De Krans).
HARMONIZAÇÃO:
Tem harmonizações mais apreciadas com pratos de carnes vermelhas (defumado ou grelhado).
O Vinho do Porto feito com Touriga Nacional harmoniza facilmente com café, chocolate, nozes e queijos azuis. Nos rosés e espumantes, vão bem com queijos, saladas, peixes leves e carne branca.
(confira no link abaixo a nossa ficha técnica)
ESCRITO POR:
Pedro Fernandes

Pedro Fernandes é um Enólogo português que desde os 11 anos está ligado á Vitivinicultura, onde desde cedo começou a fazer os primeiros vinhos com o seu pai e a fazer trabalhos como a poda.
Desde lá nunca parou e em 2018 decide dedicar-se ao setor do vinho, começando por fazer "tudo ao contrário". Começou por tirar cursos de especialização de vinhos como o WSET (Direct Wine) e o Wine Expertise (ISAG) em 2018/2019. Depois forma-se na Universidade de Nebrijia em Madrid, tirando um MBA de Enologia (2020). Já em 2021, com 39 anos, decide tirar uma Licenciatura em Enologia (UTAD), e contrariando todas as probabilidades, termina o curso em 2024.
Pelo caminho cria a sua primeira marca pessoal de vinho - Chãos - e estagiou no prestigiado Chateau Latour (em Bordéus).
Atualmente exerce consultoria no setor do vinho, onde desempenha um papel não só de enólogo, mas também criando uma estratégia de negócio para os produtores de vinho, com uma visão atual do mercado, onde passa pelos recursos do Marketing Digital e Enoturismo.





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